O que são os Alimentos Inflamatórios

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O que são os Alimentos Inflamatórios

Alimentos Inflamatórios

Há alguns anos ninguém poderia imaginar que existem “alimentos inflamatórios”, mas isso já é uma realidade bastante aceita hoje em dia.

Ao classificar os alimentos de acordo com seu grau mais alto ou baixo de ação inflamatória, pesquisadores e especialistas foram capazes de concluir, por exemplo, que uma grande dificuldade para emagrecer pode ter origem nas escolhas feitas para compor o prato, mesmo que se esteja levando em conta a quantidade de calorias.

Índice Inflamatório de Alto e Baixo Grau

O índice inflamatório foi criado por pesquisadores norte-americanos em 2010 e existem dois tipos de inflamação que ocorrem como um mecanismo de defesa e são disparadas pelo sistema imunológico.

A mais conhecida é a de alto grau, que ocorre após trauma ou lesão, e que tem como características a dor, calor, rubor (vermelhidão) e edema (inchaço). Esses sintomas ocorrem pois há um aumento da dilatação dos vasos sanguíneos para levar os nutrientes necessários para a reparação do tecido afetado. Ela costuma ser localizada e ter curta duração, geralmente de 3 a 4 dias.

Diferente da inflamação de baixo grau, que pode perdurar por anos. É um fenômeno que começou a ser estudado há cerca de 10 anos e não apresenta sintomas tão específicos, sendo uma doença silenciosa. Quando o tecido está inflamado, começa a perder sua função clássica e por isso contribui para o surgimento de doenças metabólicas e crônicas.

Veja alguns exemplos:

• O fígado passa a metabolizar mal as substâncias no nosso sangue e a produzir gordura demais;

• Os músculos deixam de captar glicose e acontece a chamada hiperglicemia, favorecendo a ocorrência de diabetes tipo 2;

• O tecido adiposo libera gordura na corrente sanguínea e eleva o colesterol;

• As veias e artérias captam e acumulam mais gordura (aterosclerose) e envelhecem mais rápido (arterioesclerose);

• O hipotálamo, responsável pelo metabolismo e pela sensação de fome, queima menos calorias e perde essa capacidade de controle, com o aumento patológico do apetite (hiperfagia).

E o que os Alimentos tem a ver com tudo isso?

A alimentação tem relação direta com esse processo de prevenção e recuperação. Isso porque certos nutrientes estão ligados com a produção dos chamados mediadores inflamatórios, substâncias que ao atingir as células podem promover ou até retroalimentar o processo de inflamação.

Alimentos Inflamatórios

Um exemplo é o excesso de gordura saturada. Nosso organismo pode confundir o nutriente sozinho com uma bactéria, pois a parede celular desses microrganismos é revestida com esse tipo de gordura. Com isso, as células que têm receptores do sistema de defesa detectam esse tipo de gordura e ativam o processo inflamatório.

O modo de preparo e a quantidade de consumo de certos produtos é o que mais interfere no potencial inflamatório em uma dieta. Assim é importante entender como isso funciona e quais alimentos criam maior propensão à inflamação no organismo.

Veja quais são os Alimentos Inflamatórios

Alimentos Fritos: a fritura provoca modificações nas propriedades nutricionais e na estrutura molecular dos alimentos que afetam a disponibilidade dos ácidos graxos essenciais (que em geral são anti-inflamatórios). Além disso, os óleos vegetais industriais possuem gordura trans, que é altamente inflamatória e está relacionada com ao aumento do LDL (“colesterol ruim”) e diminuição do HDL (“colesterol bom”), e que aumenta as chances de aterosclerose – acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos. O ideal é optar por preparações cozidas, refogadas ou ensopadas.

Alimentos ultra processados: são ricos em açúcares e/ou gorduras para aumento do sabor e conservação, e costumam ser pobres em vitaminas, minerais e fibras. São produtos industrializados e incluem salgadinhos, biscoitos e enlatados. Por causa do estímulo aos mediadores inflamatórios, o consumo desses alimentos pode desencadear uma inflamação de baixo grau, e até tornar-se crônica, levando a fatores de risco para outras doenças.

Carnes vermelhas: apesar de terem importantes nutrientes, como proteínas, ferro, zinco e vitamina B, estudos demonstram que o consumo excessivo de gordura animal estimula a secreção contínua de ácidos biliares no intestino, que agridem a mucosa do cólon e induzem a apoptose (morte celular programada). Além disso, métodos de preparo que envolvem altas temperaturas e baixa umidade (como fritar, grelhar e assar) favorecem a formação de compostos pró-inflamatórios, neste caso as aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. Considerando que o ambiente inflamatório poderia se relacionar a alguns tipos de câncer, como o de cólon e reto, o INCA (Instituto Nacional do Câncer) recomenda o limite de ingestão de 500g de carne vermelha cozida por semana.

Carnes ultra processadas ou embutidos: alimentos como peito de peru, presunto, salsicha, linguiça, salame, bacon e toucinho contêm gordura saturada, mais especificamente ácido araquidônico, que é um tipo de gordura com alto potencial inflamatório nas células. De maneira bem simplificada, é reconhecida como um agressor pela membrana de nossas células, que respondem com a liberação de citocinas (moléculas) pró-inflamatórias.

Ingestão excessiva de ômega 6: o desequilíbrio entre o elevado consumo de ômega 6 (presente em óleos vegetais, como o de milho e soja) e a pouca ingestão de ômega 3 (encontrado em peixes de água fria como atum, arenque, salmão e sardinha, e em algumas sementes, como a linhaça e chia) tem sido apontado como uma das prováveis causas para o aumento da incidência de doenças inflamatórias nas populações. Assim recomenda-se menor consumo de alimentos ricos em ômega 6 e maior consumo de alimentos fontes de ômega 3.

Excesso de açúcar refinado: o elevado consumo de açúcares rapidamente absorvíveis, presentes em alimentos industrializados como suco de caixinha, barras de cereais, bolachas, iogurtes e pães, interfere e compromete a ação da insulina, hormônio produzido pelo pâncreas e que tem como função metabolizar a glicose. Em excesso, pode causar até a resistência da sua ação e provocar a sinalização de uma inflamação para o corpo.

Óleos vegetais: óleo de coco, de palma e dendê estão relacionados com quadros inflamatórios por ter na sua composição gordura saturada, mais especificamente pelo ácido láurico e mirístico, que são ácidos graxos que facilitam o acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos (aterosclerose).

O outro lado…

Em contrapartida, alguns compostos presentes em alimentos, como os chamados bioativos, podem ter atividade biológica capaz de reduzir a resposta inflamatória. Como é o caso do ômega 3, presente principalmente em peixes de água fria e em algumas sementes, a chia e a linhaça; o resveratrol, presente em uvas; a curcumina, presente na cúrcuma; as catequinas do chá verde; entre outros.

Cabe ressaltar que uma alimentação equilibrada baseada em alimentos in natura e minimamente processados e a prática regular de exercício físico podem melhorar o metabolismo e o perfil inflamatório, ficando mais perto de um equilíbrio nutricional e metabólico.

Alimentos Inflamatórios

Fonte: pharmacorum.com.br / vivabem.uol.com.br